Distribuído nos kits para 355 mil peregrinos inscritos na
Jornada Mundial da Juventude (JMJ), um manual de bioética reafirma a
posição da Igreja Católica contra o aborto, a adoção de crianças por
casais do mesmo sexo e a reprodução assistida. O guia recebeu apoio de
quase todos os jovens que participam da jornada.
A manual publicado em quatro idiomas condena o aborto sob qualquer
circunstância e também o uso da pílula de contracepção que, segundo o
documento, pode levar ao aborto indesejado de embriões, o que não é
permitido. “Por que o direito da mulher de eliminar um filho
prevaleceria sobre o direito de viver desse filho?”, pergunta o manual.
Sobre a reprodução assistida, o guia propõe a adoção de crianças por
casais com dificuldade de engravidar. “As técnicas são desgastantes
psicologicamente devido à intromissão do médico na sua intimidade, com
interrogatórios sobre a vida íntima, fundação do ovócito, (ou seja) a
transferência e inseminação da mulher pelo médico em lugar do cônjuge”,
justifica a igreja.
Em relação à adoção de crianças por casais do mesmo sexo, o guia
explica que se constitui em atitude homofóbica, pois “a procriação
necessita de pai e mãe para se desenvolver”. “Embora o fato de alguém
não poder ter filhos seja fonte de sofrimento, essa reivindicação dos
lobbies homossexuais não é legítima. É preciso homem e mulher para gerar
um filho”, afirma.
Outros temas tratados no manual são a eutanásia, a doação de órgãos
“que só deve ser permitida por um acordo consciente e livre do doador ou
da família” e a teoria de gênero. Esta linha de pensamento é
questionada por acreditar que a “identidade sexual do ser humano depende
do ambiente sociocultural e não do sexo” em contraposição “a natureza”-
homem ou mulher.
O documento foi elaborado pela fundação francesa Jérôme Lejeune e
aprovado pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar da Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Nas ruas da cidade do Rio, consultados sobre o guia, nove dos dez peregrinos ouvidos pela Agência Brasil defendem
os preceitos do manual. Apenas uma disse que, embora seja católica,
avalia que o “conservadorismo da igreja” pode significar "tapar o Sol
com a peneira”.
“Sou católica praticante, acredito muito em Deus, mas reconheço que a
igreja tem um pensamento conservador. Essa questão de ser contra
métodos contraceptivos como a pílula e a camisinha é uma delas. O
preservativo é importante para se prevenir da gestação indesejada e de
doenças”, disse a assistente social piauiense Sandra Félix, de 26 anos.
Os demais, como a estudante Evielle Beatriz, de 15 anos, do Rio
Grande do Norte, defende a castidade pregada pela igreja e a relação
sexual apenas para fins de reprodução. “Deus fez o sexo para o casal,
homem e mulher, ter seus filhos. Isso é uma grande dádiva. Por isso,
acho inaceitável qualquer método, mesmo camisinha”, disse.
O estudante de direito Luís Fernando Barbosa, de 18 anos, que veio de
São Paulo, concorda que o aborto não deve ser admitido em hipótese
alguma, mesmo em caso de estupro contra a mulher, como permite a
legislação brasileira. Para ele, o procedimento leva "um ser inocente à
morte”.
Outro tema polêmico no manual, a posição contrária à adoção de
crianças por casais do mesmo sexo encontra fundamento na resposta de
Gabriela Oliveira, de 18 anos. “A criança vai ser privada de crescer
entre pai e mãe. E vai perguntar: quem é mamãe, quem é o papai e vai
ficar sem respostas. Isso pode atrapalhar o desenvolvimento saudável
deste bebê”.
Edição: Beto Coura
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