Durante o IV Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública (Siesp), promovido pela Funasa
em Belo Horizonte até amanhã (22) foi lançada uma cartilha direcionada a
comunidades que vivem em pequenos assentamentos rurais, com exemplos de
soluções para o saneamento básico. As soluções foram concebidas com a
participação de populações locais.
A cartilha Saneamento Ambiental, Sustentabilidade e Permacultura em
Assentamentos Rurais é resultado de uma pesquisa realizada entre 2009 e
2011 financiada pela Funasa, no Assentamento de Sepeti-araju, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O assentamento tem cerca de 80 famílias.
O professor da Universidade Federal de São Carlos, Bernardo Teixeira,
que coordenou a pesquisa, disse que um dos bons resultados obtidos na
comunidade foi a adoção de um sistema de tratamento de esgoto escolhido
pela população de acordo com suas necessidades: a fossa séptica que
utiliza bananeira leva o esgoto domiciliar por um efluente que, ao
passar pelas árvores, aduba ao mesmo tempo que é purificado.
Outra solução destacada por Bernardo Teixeira, foi a construção de
cisternas para a captação da água da chuva. “A comunidade [de
Sepeti-araju] incorporou a tecnologia, e hoje eles sabem fazer e as
constroem coletivamente”, disse.
Para o professor, a vantagem da pesquisa é mostrar que não existem
soluções prontas, destacando a importância da participação da comunidade
no processo de saneamento: “Às vezes, a própria comunidade escolhe
coisas e aponta o que é mais adequado para ela. As soluções precisam ser
compartilhadas”, ressaltou.
Um grupo de 16 pesquisadores participou da elaboração da cartilha,
que deve ser direcionada principalmente aos técnicos que atuarão nas
comunidades e aos próprios líderes comunitários. A distribuição será
feita pela Funasa, que enviará aos municípios que solicitarem o material e também disponibilizará a cartilha no site da Fundação.
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