A desaprovação da administração da prefeita Micarla de Souza – 46,75% de desaprovação contra 30,75 de aprovação – logo no primeiro ano de sua gestão – pode ser examinada, no largo senso, com Vulgo da Silva, o sábio popular, concluindo, sentenciosamente, que a confiança tem prazo e requer motivação.
Com o eleitorado de 506.586 eleitores, podendo chegar aos 560 mil até outubro vindouro, Natal e a Grande Natal terão importância significativa, quando não fundamental, no resultado eleitoral. Cite-se como exemplo que dos quatro governadores eleitos após a redemocratização, em 1985, três passaram pela Prefeitura de Natal como prefeitos.
O único governador eleito pós-redemocratização que não foi prefeito de Natal – Geraldo Melo – ganhou em cima da onda avassaladora das “Diretas Já”. O PMDB, na mesma onda, elegeu vinte dos vinte e um governadores estaduais. O único governador eleito não peemedebista foi o de Sergipe. Os governadores do Rio Grande do Norte que se seguiram foram: José Agripino, sucessor de Geraldo Melo, Garibaldi Filho, sucessor de Agripino e Wilma Maria de Faria, atual governadora, sucessora de Garibaldi, todos três ex-prefeitos de Natal.
Os grandes eleitores
Apenas doze municípios são responsáveis por nada menos que 51% do eleitorado do Rio Grande do Norte, hoje totalizando 2.179.154 eleitores.
Os doze municípios totalizando 1.092.021 eleitores e suas respectivas regiões são os seguintes: Natal, com 506.586 eleitores; O Grande Natal está integrado por Parnamirim, com 90.406 eleitores, São Gonçalo, com 59.285 e Macaíba, com 43.188. Mossoró entra com 154.256 eleitores. A Zona Oeste com Apodi, 26.333 eleitores. O Seridó entra com dois municípios, Currais Novos com 31.932 e Caicó com 42.580. A região Agreste também comporta dois municípios, Nova Cruz com 27.504 e São José do Mipibu com 26.689. Pairando Ceará-Mirim com 45.945 eleitores, e Assu, líder de Vale com 37.317 eleitores totalizando os doze municípios. Esse número são alterados, periodicamente, pela Justiça Eleitoral, à medida que são feitas novas inscrições registradas nos cartórios eleitorais.
Estrutura e base
Dos doze municípios, o PMDB tem três prefeitos, o DEM tem dois, o PR tem três, o PV, o PP, o PSB e o PDT, cada um deles, um. Mas, os partidos hoje não têm mais militância. O número de eleitores inscritos em suas legendas é irrisório. Mais para preenchimento do número legal exigido pela Lei Eleitoral.
Os políticos se referem hoje mais a “Estrutura” e a “Base”. As análises são feitas assim: “ Fulano dispõe da boa ou relativa “Estrutura”.” Ou é apoiado pela “Base”. “Estrutura” e “Base” são sustentadas com o dinheiro dos contribuintes e entidades representativas do Governo, das prefeituras e dos parlamentos como ONG’s não registradas em cartório.
Desaprovação e aprovação
A desaprovação da prefeita Micarla de Souza consta da pesquisa feita pela PERFIL entre os dias 19 e 21 de dezembro passado, antes, portanto, de um outro fator de desgaste da prefeita natalense: a decoração natalina da cidade, o que vem motivando intensiva propaganda da Prefeitura, através dos órgãos de comunicação.
Previsões
O número atual de eleitores do Rio Grande do Norte ainda será alterado para as eleições de outubro vindouro, embora não esteja havendo campanha institucional nesse sentido ou trabalho das respectivas lideranças municipais para o aumento do número de eleitores.
O prefeito de Parnamirim, Maurício Marques, anunciou que o número atual de eleitores de 90.406 deverá aumentar para um mínimo de 100 mil eleitores, considerando que muitos moradores da cidade ainda mantém vínculo com o município de origem.
Um fator importante para o aumento do número de eleitores é que o título eleitoral é um documento fundamental para a cidadania e o não comparecimento para votar nas eleições, sem motivação justificada, causa uma série de embaraços aos maiores de 18 anos.
As conversas prosseguem. Nada decidido.
Editorial
Emissário submarino
Quem vai decidir da construção do Emissário Submarino de Ponta Negra? Qualquer que seja a decisão por quem venha, afinal, decidir, tardará com visíveis prejuízos para o Sistema de Saneamento Básico da Zona Sul de Natal e de Nova Parnamirim.
E não pode haver mais retardamento com reais prejuízos para o Sistema de Saneamento Básico da Zona Sul de Natal e do populoso bairro de Nova Parnamirim.
Foi anunciado que a decisão é do Ministério das Cidades. Não pode ser. Noticiado, também, que a empresa que fará a construção já está escolhida “de cima para baixo”. Não queremos crer. Igualmente anunciado que a Caixa Econômica jogou, até agora, para facilitar a construção do emissário. Não enxergamos nenhuma razão ou mesmo motivo para que um corpo técnico sério como o da Caixa Econômica tenha interesses outros, menores.
São muitos os interesses, reconhecemos. Mas, nenhum será maior do que a preservação da praia de Ponta Negra e a garantia para Nova Parnamirim e para Zona Sul de Natal.
Uma decisão do Governo do Estado.
Notas...
Pegando mal (1)
O Secretario-chefe da Casa Civil falando em política como se estivesse autorizado pela governadora Wilma de Faria. A desimportância pode ser medida pela falta de resposta de quem criticou, o deputado Robinson Faria, presidente da Assembléia Legislativa.
Pegando mal (2)
A movimentação do presidente da CAERN para permanecer no cargo, após a decisão do deputado Robinson de aceitar a candidatura a vice-governador na chapa “oposicionista” da senhora Rosalba Ciarlini, está pegando mal junto a gregos e troianos. No caso, junto a Iberê e junto a Robinson.
Lava-pés de luxo
Quem foi o auxiliar graduado de um órgão arrecadador do Governo do Estado que, entre convivas escandalizados, lavou os próprios pés com uísque 12 anos na passagem do ano? Quem o seu nome souber e o de quem o indicou ao Governo, pede-se que o denuncie a polícia. Mas por que polícia? Demitir é a primeira providência.
Caern
O cargo de Presidente da CAERN é político. A função é que é administrativa. O atual presidente foi indicado, politicamente, pelo deputado Robinson Faria, corretamente como política e o ato de exercer voltado para a função administrativa. Deve ter misturado, claro. É próprio do cargo e da função. Sai com Robinson ou fica com Iberê? Tanto faz, seis como meia dúzia.
Difícil, muito difícil
Vai ser muito difícil para o candidato Iberê Ferreira de Souza, no exercício do Governo, demitir quem não vota nele para governador, mas vota na senhora Wilma de Faria para senadora. Demitindo, desarruma-se junto à candidata ao Senado. Não demitindo, abre um precedente enorme no Governo sua principal estrutura de candidato.
Grandes estruturas
A luta entre as duas grandes estruturas para as eleições de outubro vai começar. De um lado, a estrutura do Governo do Estado, com Iberê. Do outro, a estrutura formada pela Prefeitura de Natal, a Prefeitura de Mossoró e a Assembléia Legislativa. Os dentes vão ranger. Sós os dentes?
... O que se diz...
...Que a senadora Rosalba Ciarlini viveu momentos muito difíceis nas duas últimas e recentes semanas...
...Que a motivação do “quase” drama vivido pela senadora do DEM mossoroense em face da votação autorizando o empréstimo para o Governo do Estado construir a adutora de Mossoró, resolvendo de uma vez por todas o grave problema da falta d’água na capital do Oeste a deixou como surda e calada...
... Que, aprovada a autorização para o empréstimo, o beneficiário político poderá ser o candidato governamental à sucessão estadual...Era tudo que Rosalba não queria...
... Que, negando a aprovação pelo voto do DEM, os mossoroenses não perdoariam nem Rosalba e nem Robinson...
... QUE a “solução encontrada foi postergar o máximo possível, de maneira que, mesmo aprovando-se, não haveria tempo para a adutora ser inaugurada ainda no período eleitoral...
... QUE o candidato Iberê Ferreira costuma avisar aos incrédulos de sua candidatura que “tudo começa a mudar em Abril e nas convenções já estará muito bem nas pesquisas...
... QUE na questão da adutora de Mossoró ficou entre a cruz e a espada, assim como tendo que decidir (e não decidiu) daquela pessoa que ficou na dúvida se devia permanecer e o bicho comer ou correr e o bicho pegar...
... Caro leitor...
Clima de veraneio, transferindo-se para os terraços de Pirangi as conversas, os boatos, as versões, por vezes até estapafúrdias, embora em política nada deva ser estranho. Almoços com extensão para jantares não têm faltado. O trânsito está, como diria aquele político, “de lascar”.
Ainda não “zanzei” pelas casas de amigos em Pirangi. Uma coisa e outra, no sábado e no domingo, vou adiando para os próximos. E também pela alegria de recebê-los no meu terraço. De segunda à sexta, saio cedo para Natal, motivado pela velha mania de trabalhar, só voltando depois das vinte horas. Quem eu vi domingo passado foi Euzinha me acenando para me dar a notícia de que Eu – não eu, hein? Estava adoentada. Lindas: Eu – não eu, claro – e a Euzinha. Ah, “saudade que tenho da aurora de minha vida...dos tempos que não voltam mais...”
No mais, sem mais. Nem menos. Somo, não subtraio e até multiplico para dividir na convivência de cada dia. Estou esperando pela decisão do nosso Agnelo se será ou não candidato à deputação estadual. Já houve um tempo em que ele respondia a quem perguntasse se será ou não candidato nas eleições que se aproximam, dizendo: “não é certo, não é provável, não é impossível”, relembrando o inesquecível Aluízio. Hoje Agnelo já avançou respondendo: “é provável”.
Um abração, afetuoso, NECO.
Estória da história
Rejeitada a emenda das “Diretas Já”, caberia ao PMDB capitanear a decisão. Participaria ou não do “Colégio Eleitoral” adrede organizado para fazer vitorioso o candidato do governo autoritário? Decidindo participar, quem, como candidato, mereceria a confiança da opinião pública para trazê-la de volta à praça pública? E, finalmente, o candidato escolhido teria o apoio dos partidos oposicionistas?
Primeira grande dificuldade. A candidatura do doutor Ulisses Guimarães, por todas as razões, era a ideal, pelo mérito. Mas seguramente, não conseguiria empolgar os partidos oposicionistas pela caracterização que assumiria, inevitavelmente, de radicalismo. Afinal, o doutor Ulisses fora o grande comandante da oposição na luta contra o autoritarismo e a ditadura. Imprevisível a reação da “Linha Dura”, ainda latente dentro do sistema autoritário.
O candidato ideal tinha um nome próprio. O governador Tancredo Neves, de Minas Gerais. Um outro nome possível seria o do governador de São Paulo, Franco Montoro. No cortejo entre três nomes, doutor Ulisses, Tancredo e Montoro, não havia dúvida de que o escolhido seria o do governador Tancredo Neves. O governador paulista, Franco Montoro, teria que permanecer no governo de São Paulo para garantir – se necessário – uma resistência às possíveis reações do sistema autoritário.
Caberia ao doutor Tancredo Neves dar uma clara demonstração de sua habilidade e viabilidade do seu nome, começando por convencer o doutor Ulisses. Já reportei esse episódio decisivo em outro capítulo. Uma reunião, supostamente distante da imprensa e dos meios de políticos, foi convocada para o mezanino do Hotel Nacional. Mas, uma outra faceta perigosa se levantara. O PT não queria participar do Colégio Eleitoral. Era o PT na defesa de sua velha posição radical, PT ou PT.
– Se não convencermos os companheiros, vamos para a luta com o povo nas ruas e ganhar no Colégio Eleitoral – bradou o doutor Tancredo, recebendo a primeira estrondosa ovação do que viria a se constituir na mais bela campanha política de todos os tempos no Brasil. E, realmente, o tempo veio provar que apenas uma outra campanha se assemelhara. Mas, mesmo assim, apenas “parecendo”. Nunca igual à campanha das “Diretas Já”.
Todos os castelos da resistência contra a redemocratização foram sendo derrubados. Todas as estruturas foram sendo desestruturadas. O próprio doutor Paulo Maluf, o candidato do sistema governamental, estava convencido que perdera todas as chances, era do seu dever permanecer candidato para conter os arreganhos da “Linha Dura” e manter a decisão popular pela volta da democracia. Também já reportei, em outro capítulo, a participação do doutor Paulo Maluf.
Arrebentado o sistema partidário de apoio ao sistema autoritário, contabilizados os votos conquistados e compromissados. Uma reunião reservada entre doutor Tancredo, doutor Ulisses e os líderes das bancadas oposicionistas para a estratégia final. Um misto de alegria e de preocupação dominava a todos os participantes, quando, finalmente, o doutor Tancredo, já aclamado como “presidente Tancredo Neves”, assumiu a palavra: “Tudo foi feito. Até os erros foram transformados em acertos. De agora até a eleição e da eleição até a posse, todo cuidado é pouco para garantirmos a vitória da democracia”. Concluindo: “Já temos o nosso dispositivo militar. Estamos seguros. Não podemos provocar. Não devemos errar. Não podemos cantar vitória antes de assumirmos o Governo. E vamos assumir”. Todos de pé, aplaudiram, embora o misto de satisfação e preocupação não tivesse sido desfeito. Pelo contrário. Aumentara.
E tudo foi cumprido à risca, inclusive o dispositivo militar revelado e atento desde o primeiro instante da doença e morte de Tancredo.
Agnelo Alves.
Com o eleitorado de 506.586 eleitores, podendo chegar aos 560 mil até outubro vindouro, Natal e a Grande Natal terão importância significativa, quando não fundamental, no resultado eleitoral. Cite-se como exemplo que dos quatro governadores eleitos após a redemocratização, em 1985, três passaram pela Prefeitura de Natal como prefeitos.
O único governador eleito pós-redemocratização que não foi prefeito de Natal – Geraldo Melo – ganhou em cima da onda avassaladora das “Diretas Já”. O PMDB, na mesma onda, elegeu vinte dos vinte e um governadores estaduais. O único governador eleito não peemedebista foi o de Sergipe. Os governadores do Rio Grande do Norte que se seguiram foram: José Agripino, sucessor de Geraldo Melo, Garibaldi Filho, sucessor de Agripino e Wilma Maria de Faria, atual governadora, sucessora de Garibaldi, todos três ex-prefeitos de Natal.
Os grandes eleitores
Apenas doze municípios são responsáveis por nada menos que 51% do eleitorado do Rio Grande do Norte, hoje totalizando 2.179.154 eleitores.
Os doze municípios totalizando 1.092.021 eleitores e suas respectivas regiões são os seguintes: Natal, com 506.586 eleitores; O Grande Natal está integrado por Parnamirim, com 90.406 eleitores, São Gonçalo, com 59.285 e Macaíba, com 43.188. Mossoró entra com 154.256 eleitores. A Zona Oeste com Apodi, 26.333 eleitores. O Seridó entra com dois municípios, Currais Novos com 31.932 e Caicó com 42.580. A região Agreste também comporta dois municípios, Nova Cruz com 27.504 e São José do Mipibu com 26.689. Pairando Ceará-Mirim com 45.945 eleitores, e Assu, líder de Vale com 37.317 eleitores totalizando os doze municípios. Esse número são alterados, periodicamente, pela Justiça Eleitoral, à medida que são feitas novas inscrições registradas nos cartórios eleitorais.
Estrutura e base
Dos doze municípios, o PMDB tem três prefeitos, o DEM tem dois, o PR tem três, o PV, o PP, o PSB e o PDT, cada um deles, um. Mas, os partidos hoje não têm mais militância. O número de eleitores inscritos em suas legendas é irrisório. Mais para preenchimento do número legal exigido pela Lei Eleitoral.
Os políticos se referem hoje mais a “Estrutura” e a “Base”. As análises são feitas assim: “ Fulano dispõe da boa ou relativa “Estrutura”.” Ou é apoiado pela “Base”. “Estrutura” e “Base” são sustentadas com o dinheiro dos contribuintes e entidades representativas do Governo, das prefeituras e dos parlamentos como ONG’s não registradas em cartório.
Desaprovação e aprovação
A desaprovação da prefeita Micarla de Souza consta da pesquisa feita pela PERFIL entre os dias 19 e 21 de dezembro passado, antes, portanto, de um outro fator de desgaste da prefeita natalense: a decoração natalina da cidade, o que vem motivando intensiva propaganda da Prefeitura, através dos órgãos de comunicação.
Previsões
O número atual de eleitores do Rio Grande do Norte ainda será alterado para as eleições de outubro vindouro, embora não esteja havendo campanha institucional nesse sentido ou trabalho das respectivas lideranças municipais para o aumento do número de eleitores.
O prefeito de Parnamirim, Maurício Marques, anunciou que o número atual de eleitores de 90.406 deverá aumentar para um mínimo de 100 mil eleitores, considerando que muitos moradores da cidade ainda mantém vínculo com o município de origem.
Um fator importante para o aumento do número de eleitores é que o título eleitoral é um documento fundamental para a cidadania e o não comparecimento para votar nas eleições, sem motivação justificada, causa uma série de embaraços aos maiores de 18 anos.
As conversas prosseguem. Nada decidido.
Editorial
Emissário submarino
Quem vai decidir da construção do Emissário Submarino de Ponta Negra? Qualquer que seja a decisão por quem venha, afinal, decidir, tardará com visíveis prejuízos para o Sistema de Saneamento Básico da Zona Sul de Natal e de Nova Parnamirim.
E não pode haver mais retardamento com reais prejuízos para o Sistema de Saneamento Básico da Zona Sul de Natal e do populoso bairro de Nova Parnamirim.
Foi anunciado que a decisão é do Ministério das Cidades. Não pode ser. Noticiado, também, que a empresa que fará a construção já está escolhida “de cima para baixo”. Não queremos crer. Igualmente anunciado que a Caixa Econômica jogou, até agora, para facilitar a construção do emissário. Não enxergamos nenhuma razão ou mesmo motivo para que um corpo técnico sério como o da Caixa Econômica tenha interesses outros, menores.
São muitos os interesses, reconhecemos. Mas, nenhum será maior do que a preservação da praia de Ponta Negra e a garantia para Nova Parnamirim e para Zona Sul de Natal.
Uma decisão do Governo do Estado.
Notas...
Pegando mal (1)
O Secretario-chefe da Casa Civil falando em política como se estivesse autorizado pela governadora Wilma de Faria. A desimportância pode ser medida pela falta de resposta de quem criticou, o deputado Robinson Faria, presidente da Assembléia Legislativa.
Pegando mal (2)
A movimentação do presidente da CAERN para permanecer no cargo, após a decisão do deputado Robinson de aceitar a candidatura a vice-governador na chapa “oposicionista” da senhora Rosalba Ciarlini, está pegando mal junto a gregos e troianos. No caso, junto a Iberê e junto a Robinson.
Lava-pés de luxo
Quem foi o auxiliar graduado de um órgão arrecadador do Governo do Estado que, entre convivas escandalizados, lavou os próprios pés com uísque 12 anos na passagem do ano? Quem o seu nome souber e o de quem o indicou ao Governo, pede-se que o denuncie a polícia. Mas por que polícia? Demitir é a primeira providência.
Caern
O cargo de Presidente da CAERN é político. A função é que é administrativa. O atual presidente foi indicado, politicamente, pelo deputado Robinson Faria, corretamente como política e o ato de exercer voltado para a função administrativa. Deve ter misturado, claro. É próprio do cargo e da função. Sai com Robinson ou fica com Iberê? Tanto faz, seis como meia dúzia.
Difícil, muito difícil
Vai ser muito difícil para o candidato Iberê Ferreira de Souza, no exercício do Governo, demitir quem não vota nele para governador, mas vota na senhora Wilma de Faria para senadora. Demitindo, desarruma-se junto à candidata ao Senado. Não demitindo, abre um precedente enorme no Governo sua principal estrutura de candidato.
Grandes estruturas
A luta entre as duas grandes estruturas para as eleições de outubro vai começar. De um lado, a estrutura do Governo do Estado, com Iberê. Do outro, a estrutura formada pela Prefeitura de Natal, a Prefeitura de Mossoró e a Assembléia Legislativa. Os dentes vão ranger. Sós os dentes?
... O que se diz...
...Que a senadora Rosalba Ciarlini viveu momentos muito difíceis nas duas últimas e recentes semanas...
...Que a motivação do “quase” drama vivido pela senadora do DEM mossoroense em face da votação autorizando o empréstimo para o Governo do Estado construir a adutora de Mossoró, resolvendo de uma vez por todas o grave problema da falta d’água na capital do Oeste a deixou como surda e calada...
... Que, aprovada a autorização para o empréstimo, o beneficiário político poderá ser o candidato governamental à sucessão estadual...Era tudo que Rosalba não queria...
... Que, negando a aprovação pelo voto do DEM, os mossoroenses não perdoariam nem Rosalba e nem Robinson...
... QUE a “solução encontrada foi postergar o máximo possível, de maneira que, mesmo aprovando-se, não haveria tempo para a adutora ser inaugurada ainda no período eleitoral...
... QUE o candidato Iberê Ferreira costuma avisar aos incrédulos de sua candidatura que “tudo começa a mudar em Abril e nas convenções já estará muito bem nas pesquisas...
... QUE na questão da adutora de Mossoró ficou entre a cruz e a espada, assim como tendo que decidir (e não decidiu) daquela pessoa que ficou na dúvida se devia permanecer e o bicho comer ou correr e o bicho pegar...
... Caro leitor...
Clima de veraneio, transferindo-se para os terraços de Pirangi as conversas, os boatos, as versões, por vezes até estapafúrdias, embora em política nada deva ser estranho. Almoços com extensão para jantares não têm faltado. O trânsito está, como diria aquele político, “de lascar”.
Ainda não “zanzei” pelas casas de amigos em Pirangi. Uma coisa e outra, no sábado e no domingo, vou adiando para os próximos. E também pela alegria de recebê-los no meu terraço. De segunda à sexta, saio cedo para Natal, motivado pela velha mania de trabalhar, só voltando depois das vinte horas. Quem eu vi domingo passado foi Euzinha me acenando para me dar a notícia de que Eu – não eu, hein? Estava adoentada. Lindas: Eu – não eu, claro – e a Euzinha. Ah, “saudade que tenho da aurora de minha vida...dos tempos que não voltam mais...”
No mais, sem mais. Nem menos. Somo, não subtraio e até multiplico para dividir na convivência de cada dia. Estou esperando pela decisão do nosso Agnelo se será ou não candidato à deputação estadual. Já houve um tempo em que ele respondia a quem perguntasse se será ou não candidato nas eleições que se aproximam, dizendo: “não é certo, não é provável, não é impossível”, relembrando o inesquecível Aluízio. Hoje Agnelo já avançou respondendo: “é provável”.
Um abração, afetuoso, NECO.
Estória da história
Rejeitada a emenda das “Diretas Já”, caberia ao PMDB capitanear a decisão. Participaria ou não do “Colégio Eleitoral” adrede organizado para fazer vitorioso o candidato do governo autoritário? Decidindo participar, quem, como candidato, mereceria a confiança da opinião pública para trazê-la de volta à praça pública? E, finalmente, o candidato escolhido teria o apoio dos partidos oposicionistas?
Primeira grande dificuldade. A candidatura do doutor Ulisses Guimarães, por todas as razões, era a ideal, pelo mérito. Mas seguramente, não conseguiria empolgar os partidos oposicionistas pela caracterização que assumiria, inevitavelmente, de radicalismo. Afinal, o doutor Ulisses fora o grande comandante da oposição na luta contra o autoritarismo e a ditadura. Imprevisível a reação da “Linha Dura”, ainda latente dentro do sistema autoritário.
O candidato ideal tinha um nome próprio. O governador Tancredo Neves, de Minas Gerais. Um outro nome possível seria o do governador de São Paulo, Franco Montoro. No cortejo entre três nomes, doutor Ulisses, Tancredo e Montoro, não havia dúvida de que o escolhido seria o do governador Tancredo Neves. O governador paulista, Franco Montoro, teria que permanecer no governo de São Paulo para garantir – se necessário – uma resistência às possíveis reações do sistema autoritário.
Caberia ao doutor Tancredo Neves dar uma clara demonstração de sua habilidade e viabilidade do seu nome, começando por convencer o doutor Ulisses. Já reportei esse episódio decisivo em outro capítulo. Uma reunião, supostamente distante da imprensa e dos meios de políticos, foi convocada para o mezanino do Hotel Nacional. Mas, uma outra faceta perigosa se levantara. O PT não queria participar do Colégio Eleitoral. Era o PT na defesa de sua velha posição radical, PT ou PT.
– Se não convencermos os companheiros, vamos para a luta com o povo nas ruas e ganhar no Colégio Eleitoral – bradou o doutor Tancredo, recebendo a primeira estrondosa ovação do que viria a se constituir na mais bela campanha política de todos os tempos no Brasil. E, realmente, o tempo veio provar que apenas uma outra campanha se assemelhara. Mas, mesmo assim, apenas “parecendo”. Nunca igual à campanha das “Diretas Já”.
Todos os castelos da resistência contra a redemocratização foram sendo derrubados. Todas as estruturas foram sendo desestruturadas. O próprio doutor Paulo Maluf, o candidato do sistema governamental, estava convencido que perdera todas as chances, era do seu dever permanecer candidato para conter os arreganhos da “Linha Dura” e manter a decisão popular pela volta da democracia. Também já reportei, em outro capítulo, a participação do doutor Paulo Maluf.
Arrebentado o sistema partidário de apoio ao sistema autoritário, contabilizados os votos conquistados e compromissados. Uma reunião reservada entre doutor Tancredo, doutor Ulisses e os líderes das bancadas oposicionistas para a estratégia final. Um misto de alegria e de preocupação dominava a todos os participantes, quando, finalmente, o doutor Tancredo, já aclamado como “presidente Tancredo Neves”, assumiu a palavra: “Tudo foi feito. Até os erros foram transformados em acertos. De agora até a eleição e da eleição até a posse, todo cuidado é pouco para garantirmos a vitória da democracia”. Concluindo: “Já temos o nosso dispositivo militar. Estamos seguros. Não podemos provocar. Não devemos errar. Não podemos cantar vitória antes de assumirmos o Governo. E vamos assumir”. Todos de pé, aplaudiram, embora o misto de satisfação e preocupação não tivesse sido desfeito. Pelo contrário. Aumentara.
E tudo foi cumprido à risca, inclusive o dispositivo militar revelado e atento desde o primeiro instante da doença e morte de Tancredo.
Agnelo Alves.
Nenhum comentário:
Postar um comentário