1. Tem-se divulgado que um dos fatores para tanta chuva nesse período no Rio Grande do Norte e em todo o Nordeste é uma certa Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). O que é isso?
A Zona de Convergência Intertropical é a região onde se encontram os chamados ventos alísios dos hemisférios Norte e Sul da Terra. Ela é formada por aglomerados de nuvens distintas, com uma escala de algumas centenas de quilômetros, nuvens estas associadas a uma zona alongada de baixa pressão. Esta zona tem um deslocamento que varia com a estação do ano.
2. Ventos alísios? O que são eles?
Ventos alísios são ventos constantes que sopram entre os trópicos e o Equador. No Hemisfério Sul - onde o Brasil está inserido - eles se dirigem de sudeste para noroeste, enquanto no Hemisfério Norte eles seguem de nordeste a sudoeste.
3. A Zona de Convergência apresenta deslocamentos? Como assim?
A posição da zona varia mais ou menos entre as latitudes 10 graus norte (que ocorre, geralmente, entre os meses de agosto e setembro) e até 5 graus sul (entre março e abril). Esse deslocamento está ligado a variações na circulação atmosférica e na temperatura da superfície do mar.
4. Como a Zona de Convergência interfere no clima do Nordeste?
Uma das zonas que formam a ZCIT se aproxima mais do litoral nordestino no período entre fevereiro e março, influindo no regime de chuvas e caracterizando o período de inverno.
5. Além do Nordeste, que outras regiões são influenciadas pela Zona de Convergência?
O Norte também é influenciado: a ZCIT é, aliás, a maior responsável pelas chuvas na região, entre dezembro e maio.
6. Outro termo que vem aparecendo com alguma frequência nos noticiários recentes é "La Niña", designando um fenômeno climático. Do que se trata?
O La Niña, também denominado "episódio frio do Oceano Pacífico", é um resfriamento anormal das águas superficiais do Pacífico nas suas regiões equatorial central e oriental.
7. E onde o La Niña ocorre?
Em uma faixa estreita, com largura aproximada de 10 graus de latitude ao longo do Equador, a partir da costa do Peru; o comprimento dessa faixa alcança os 180 graus de longitude, no Pacífico central.
8. Como o La Niña se manifesta?
Quando o fenômeno ocorre, as águas superficiais desse setor, que normalmente apresentam uma temperatura de 25 graus centígrados, ficam de 2 a 3 graus mais frias, e por vezes até mais que isso. Esse resfriamento produz mudanças consideráveis nos ventos sobre o Pacífico tropical; entre estas mudanças, está o aumento da intensidade dos ventos alísios.
9. Que efeitos o La Niña provoca no clima do Brasil?
Entre outros efeitos, no Sul do país, as chamadas frentes frias passam mais rápido, e passa a chover menos, podendo mesmo ocorrer estiagens prolongadas; as temperaturas no Sudeste ficam dentro da média ou ou pouco abaixo; passa a haver uma tendência de chover em grande quantidade no norte e no leste da Amazônia.
10. E no caso específico do Nordeste?
No caso do Nordeste, as frentes frias chegam com mais frequência, em especial no litoral dos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas. Além disso, aumenta as chances de chuvas acima da média sobre o Semi-Árido - mas isto só acontece se, junto com o La Niña, as condições atmosféricas e oceânicas sobre o Atlântico se mostrarem favoráveis (o que tem sido o caso).
11. Frentes frias?
Explicando: uma frente fria é uma zona de transição entre uma massa de ar quente e uma massa de ar frio que vai ocupar-lhe o lugar. As frentes frias deslocam-se dos pólos para o Equador.
12. E o que vem a ser uma massa de ar?
Uma massa de ar corresponde a uma parte extensa e espessa da atmosfera, que possui características próprias de umidade, temperatura e pressão, definidas pela região de onde ela surge. A diferença de pressão entre uma massa de ar e outra faz com que a atmosfera se mantenha em movimento - uma razão para a existência dos ventos; a diferença de temperatura e umidade, somadas à altura de cada massa e a velocidade com que cada uma se desloca, podem influenciar nas chuvas
13. Voltando ao La Niña: há algum fenômeno inverso?
De certa forma sim, e se chama El Niño.
14. E o que vem a ser o El Niño?
É o aquecimento anormal das águas do Pacífico, por conta de mudanças no regime dos ventos que acarretam variações em algumas correntes marinhas. Este fenômeno atinge desde o sudeste da Ásia até a América do Sul.
15. E como se dá a manifestação do El Niño?
As águas superficiais podem apresentar uma variação de até 8 graus centígrados. Alem disso, os ventos alísios enfraquecem ou mesmo deixam de soprar.
16. O que este fenômeno provoca no Brasil?
Os efeitos mais conhecidos sobre o Brasil são os períodos de seca no Nordeste e enchentes no Sul, como aconteceu entre os anos de 1982 e 1983, só para ficar em um período.
17. Consta que foi feita em Alagoas uma reunião de meteorologistas, onde saiu uma previsão de inverno acima da média no litoral nordestino, considerando o segundo trimestre deste ano. Há detalhes?
Essa reunião ocorreu em março último. Na ocasião, após análises, os meteorologistas caracterizaram um "La Niña" de baixa intensidade; as águas do Atlântico Sul mais quentes que a média, e a da região tropical do mesmo oceano mais frias, ajudariam a promover uma atividade anômala da Zona de Convergência, mais próxima e frequente da costa Norte do Nordeste - resultando em chuvas acima da média - e "ondas de leste" mais intensas, causando chuva no litoral.
18. E o que dizer sobre o calor abafado sobre Natal e outras cidades neste período este ano, mesmo com as chuvas neste momento?
Alguns fatores estão atuando para tal.
19. Que fatores?
Um deles é o aquecimento anormal das águas do Atlântico Sul - em alguns locais a temperatura está até dois graus acima da média, o que libera mais umidade à atmosfera. Essa umidade está vindo ao continente formando um "efeito estufa" natural.
20. Há algum outro fator?
Sim: a falta de vento no litoral do Nordeste, que não tem favorecido uma renovação de ar, abafando o clima.
A Zona de Convergência Intertropical é a região onde se encontram os chamados ventos alísios dos hemisférios Norte e Sul da Terra. Ela é formada por aglomerados de nuvens distintas, com uma escala de algumas centenas de quilômetros, nuvens estas associadas a uma zona alongada de baixa pressão. Esta zona tem um deslocamento que varia com a estação do ano.
2. Ventos alísios? O que são eles?
Ventos alísios são ventos constantes que sopram entre os trópicos e o Equador. No Hemisfério Sul - onde o Brasil está inserido - eles se dirigem de sudeste para noroeste, enquanto no Hemisfério Norte eles seguem de nordeste a sudoeste.
3. A Zona de Convergência apresenta deslocamentos? Como assim?
A posição da zona varia mais ou menos entre as latitudes 10 graus norte (que ocorre, geralmente, entre os meses de agosto e setembro) e até 5 graus sul (entre março e abril). Esse deslocamento está ligado a variações na circulação atmosférica e na temperatura da superfície do mar.
4. Como a Zona de Convergência interfere no clima do Nordeste?
Uma das zonas que formam a ZCIT se aproxima mais do litoral nordestino no período entre fevereiro e março, influindo no regime de chuvas e caracterizando o período de inverno.
5. Além do Nordeste, que outras regiões são influenciadas pela Zona de Convergência?
O Norte também é influenciado: a ZCIT é, aliás, a maior responsável pelas chuvas na região, entre dezembro e maio.
6. Outro termo que vem aparecendo com alguma frequência nos noticiários recentes é "La Niña", designando um fenômeno climático. Do que se trata?
O La Niña, também denominado "episódio frio do Oceano Pacífico", é um resfriamento anormal das águas superficiais do Pacífico nas suas regiões equatorial central e oriental.
7. E onde o La Niña ocorre?
Em uma faixa estreita, com largura aproximada de 10 graus de latitude ao longo do Equador, a partir da costa do Peru; o comprimento dessa faixa alcança os 180 graus de longitude, no Pacífico central.
8. Como o La Niña se manifesta?
Quando o fenômeno ocorre, as águas superficiais desse setor, que normalmente apresentam uma temperatura de 25 graus centígrados, ficam de 2 a 3 graus mais frias, e por vezes até mais que isso. Esse resfriamento produz mudanças consideráveis nos ventos sobre o Pacífico tropical; entre estas mudanças, está o aumento da intensidade dos ventos alísios.
9. Que efeitos o La Niña provoca no clima do Brasil?
Entre outros efeitos, no Sul do país, as chamadas frentes frias passam mais rápido, e passa a chover menos, podendo mesmo ocorrer estiagens prolongadas; as temperaturas no Sudeste ficam dentro da média ou ou pouco abaixo; passa a haver uma tendência de chover em grande quantidade no norte e no leste da Amazônia.
10. E no caso específico do Nordeste?
No caso do Nordeste, as frentes frias chegam com mais frequência, em especial no litoral dos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas. Além disso, aumenta as chances de chuvas acima da média sobre o Semi-Árido - mas isto só acontece se, junto com o La Niña, as condições atmosféricas e oceânicas sobre o Atlântico se mostrarem favoráveis (o que tem sido o caso).
11. Frentes frias?
Explicando: uma frente fria é uma zona de transição entre uma massa de ar quente e uma massa de ar frio que vai ocupar-lhe o lugar. As frentes frias deslocam-se dos pólos para o Equador.
12. E o que vem a ser uma massa de ar?
Uma massa de ar corresponde a uma parte extensa e espessa da atmosfera, que possui características próprias de umidade, temperatura e pressão, definidas pela região de onde ela surge. A diferença de pressão entre uma massa de ar e outra faz com que a atmosfera se mantenha em movimento - uma razão para a existência dos ventos; a diferença de temperatura e umidade, somadas à altura de cada massa e a velocidade com que cada uma se desloca, podem influenciar nas chuvas
13. Voltando ao La Niña: há algum fenômeno inverso?
De certa forma sim, e se chama El Niño.
14. E o que vem a ser o El Niño?
É o aquecimento anormal das águas do Pacífico, por conta de mudanças no regime dos ventos que acarretam variações em algumas correntes marinhas. Este fenômeno atinge desde o sudeste da Ásia até a América do Sul.
15. E como se dá a manifestação do El Niño?
As águas superficiais podem apresentar uma variação de até 8 graus centígrados. Alem disso, os ventos alísios enfraquecem ou mesmo deixam de soprar.
16. O que este fenômeno provoca no Brasil?
Os efeitos mais conhecidos sobre o Brasil são os períodos de seca no Nordeste e enchentes no Sul, como aconteceu entre os anos de 1982 e 1983, só para ficar em um período.
17. Consta que foi feita em Alagoas uma reunião de meteorologistas, onde saiu uma previsão de inverno acima da média no litoral nordestino, considerando o segundo trimestre deste ano. Há detalhes?
Essa reunião ocorreu em março último. Na ocasião, após análises, os meteorologistas caracterizaram um "La Niña" de baixa intensidade; as águas do Atlântico Sul mais quentes que a média, e a da região tropical do mesmo oceano mais frias, ajudariam a promover uma atividade anômala da Zona de Convergência, mais próxima e frequente da costa Norte do Nordeste - resultando em chuvas acima da média - e "ondas de leste" mais intensas, causando chuva no litoral.
18. E o que dizer sobre o calor abafado sobre Natal e outras cidades neste período este ano, mesmo com as chuvas neste momento?
Alguns fatores estão atuando para tal.
19. Que fatores?
Um deles é o aquecimento anormal das águas do Atlântico Sul - em alguns locais a temperatura está até dois graus acima da média, o que libera mais umidade à atmosfera. Essa umidade está vindo ao continente formando um "efeito estufa" natural.
20. Há algum outro fator?
Sim: a falta de vento no litoral do Nordeste, que não tem favorecido uma renovação de ar, abafando o clima.
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